Um rascunho qualquer...

quinta-feira, dezembro 03, 2015






E naquele 'mundarel'' de chuva, em plena sexta-feira, todo mundo saindo do trabalho, uma confusão tamanha lá estava eu, desesperada, não podia deixar ele partir, não podia o perder de novo, o ônibus não passava, as pessoas se aglomeravam em volta de mim, todos falando ao celular, com pressa, todos querendo ir pra suas casas, viver suas vidas, ver seus filhos, seus maridos e esposas, e eu ali a um ponto de perdê-lo.

E de repente aquele tal de filminho passou pela minha cabeça, aquele tal que vemos quando estamos a ponto de perder algo, ou perder a vida, no meu caso de perder ele. Lembrei daquele dia que você me disse que nada iria nos separar, engraçado parecia tão real naquele dia. Seu sorriso permanecia ali na minha cabeça, me lembrando o quanto ele me faria falta.

Saber que uma pessoa que fez parte dos teus dias, dos teus hábitos, não estaria mais ali, foram anos e anos de convivência, de amor, de pareceria e agora não vou mais te ver, poder sorrir das nossas piadas internas, sentir teu cheiro, tua boca, não vou mais te ter, e vai ser como se minha vida perdesse cinquenta por cento da sua carga, e sabe se lá quando vou recarregá-la de novo.

Mais como se alguém tivesse me dado um tapa na cara ou um um empurrão, eu senti o impulso de lutar por você mais uma vez, não ia te deixar ir sem saber o quanto era importante pra mim e na chuva mesmo eu fui, ela não seria o meu empecilho hoje.

Entrei em um táxi, e corri pro aeroporto, sei que vai parecer bem aquelas cenas clichês de filmes de comédia romântica que eu tanto detestava, pra ver como a vida nos prega peças, eu iria fazer o que eu tanto temia, ia me render, daqui a poucos minutos ia me render ao amor, provar a mim mesma, que eu não era imune a isso.

Minutos depois lá estava eu, e lá estava você a ponto de fazer o check-in e me deixar, mas eu sabia que você me amava, afinal amor não acaba de uma hora pra outra, não conseguia  te olhar, nem me mover, parece que eu tinha paralisado, mas de repente você olhou na minha direção, e nossos olhares se encontraram, e eu vi ali, que era esse olhar que eu queria comigo todos os dia, fixei o olhar em você, mas as palavras não me viam, o corpo não reagia, te vi vindo em minha direção, o olhar no meu, segundos depois, que mais pareceram horas, você chegou perto de mim, eu não conseguia falar nada, nem pensar, muito menos  reagir, você tocou minha mão, e eu disse, sim eu disse! olhei no fundo dos teus olhos e disse eu 'TE AMO', pela primeira vez na minha vida disse, e não foi nada fácil.

Então você olhou pra mim e disse 'sinto muito, mas é tarde de mais, esperei dois anos por isso, mas você não disse, agora não da mais, vou indo, boa sorte!' Olhou nos meus olhos e me deu um selinho, na minha mão deixou o colar que te dei no nosso aniversário de um ano, chegou perto de mim e sussurrou no meu ouvido 'nunca vou te esquecer, mas mereço alguém por inteiro', virou as costas e se foi.
Se foi, assim do nada, meu primeiro 'te amo' foi assim, te perdi, te perdi por um capricho, te perdi por orgulho, e percebi que você só dar valor quando perde, pra mim foi tarde.

E naquele 'mundarel'' de chuva, em plena sexta-feira, todo mundo saindo do trabalho, uma confusão tamanha, lá estava eu, desolada e perdida, sem saber o que fazer, mas a vida é assim mesmo, não se parece nada com todas aquelas comédias românticas, a vida te fere, te abate, mas sempre há um novo dia, você cai mas levanta, e agora eu vou seguir, que o mundo não vai parar de rodar por mim!






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